Queridos irmãos,
Hoje é a primeira vez que ficamos privados de poder celebrar a eucaristia, não somente com a pequena comunidade, mas também nas missas paroquiais. Sem contar que também estamos privados daquelas coisas que durante tantos anos nos ajudaram e iluminaram no Caminho Neocatecumanal: as celebrações da Palavra, as convivências, as preparações, as perscrutações. É natural que sintamos uma certa tristeza diante dessa realidade que hoje nos cabe viver. Como temos cantado tantas vezes, “As lágrimas são o meu pão noite e dia... E quando eu relembro, minha alma desfalece de tristeza, quando caminhava no meio dum povo em festa. (Sl42-43/41-42). Porém, o próprio salmo, em seguida, nos exorta a manter a confiança em Deus e a colocarmos toda a nossa esperança n’Ele. Por isso, queremos lembrar a todos do anúncio da Quaresma que há pouco recebemos. Neste anúncio, Kiko nos falava do deserto como um caminho de Deus e nos convidava a refletir sobre o seu significado em nossas vidas, ou seja, que Deus permite o sofrimento, mas que dessa experiência tira muitos frutos. Frutos de iluminação, para refletirmos sobre o que temos de fato em nosso coração, e frutos de humildade, pois o sofrimento nos leva a aceitar a vontade do Senhor e a bendizê-lo. Lembramos também aos irmãos a catequese que nos dá São Pedro em sua primeira epístola: “Nisso deveis alegrar-vos, ainda que agora, se necessário, sejais contristados por um pouco de tempo, em virtude de várias provações, A FIM DE QUE A AUTENTICIDADE COMPROVADA DA VOSSA FÉ, MAIS PRECIOSA DO QUE O OURO QUE PERECE, CUJA GENUINIDADE É PROVADA PELO FOGO, alcance louvor, glória e honra por ocasião da Revelação de Jesus Cristo.”(1Pe, 6-7). Eis aí a imagem do cristão, irmãos, cuja luz deve brilhar no meio do mundo (“Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus”) manifestando que a morte foi vencida, que Cristo está ressuscitado! Quanta vezes temos proclamado “Ó morte, onde está a tua vitória, ó morte, onde está o teu aguilhão?”. Não é este o tempo favorável para abraçarmos a fé com todo o nosso coração, ela que é “mais preciosa do que o ouro que perece”?
Portanto, diante de tão grandes graças que o Senhor nos tem concedido durante tantos anos de caminhada em nossas pequenas comunidades, exortamos a todos a permanecer em oração, tanto individual quanto em família. Que todos possamos vigiar nossas ações para que o que sair de nós seja sempre repleto de esperança e confiança em Deus. Não espalhemos o temor por meio da internet, nem o alarmismo, e nem o medo da morte. Seremos nós iguais aos pagãos, que não conhecem a Cristo, e que colocam toda a sua esperança na figura deste mundo que passa? Acaso neste tempo de Quaresma não estamos com os olhos voltados para o grande fato de que a morte foi vencida, que Cristo é nossa páscoa, que está ressuscitado? Usemos bem o nosso tempo, como nos ensina São Paulo: “Vede, pois, cuidadosamente como andais: não como tolos, mas como sábios, REMINDO O TEMPO, porque os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas procurai conhecer a vontade do Senhor” (Ef 5, 15-17).
Por fim, lembramos a todos as cartas dos nossos irmãos em missão na China, que escutamos no anúncio da quaresma. Foram os primeiros a sofrer com essa doença que agora disseminou-se por todo o mundo, e os primeiros a nos mostrar que à provação respondemos com a fé. Recordemo-nos de suas palavras cheias de confiança em Deus e de como animavam-se uns aos outros a permanecer firmes na fé. Assim como isso nos ajudou, façamos nós também o mesmo. Que de nossas bocas e de nossos telefones celulares saia sempre uma resposta de fé ao mundo.
Rezemos uns pelos outros. Rezemos também pelos que estão doentes e pelos que partiram.
Que a paz de Cristo esteja com todos!
Domingos e Júlia, Pe. André e Andrés (créditos)
Equipe Itinerante no Tocantins
Que texto gigante, ave maria
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